martes, 22 de febrero de 2011

Somos um bando de débeis mentais assaltáveis

Meus caros e fiéis três leitores (Um de Boston, outro de Miami e o terceiro de Recife) neste texto eu irei fazer uma diatribe, por favor, não confundir com “diabrite”, que por sinal é uma palavra que não existe no idioma português. Mas podem verificar no dicionário a palavra diatribe para que não pensem que é uma invencionice filológica.

Sabemos que a violência do mundo globalizado tem o seu lado positivo, isto porque tem servido para aumentar o nosso conhecimento de geografia. Por exemplo: muita gente não sabia da existência da Chechênia que está localizada nas montanhas do norte do Cáucaso, até ser estabelecido o conflito entre grupos armados Chechenos e o exército da Rússia. Antes de esse conflito estourar, falar em Chechênia correspondia a fazer, inconscientemente, uma relação entre o mafioso italiano, membro da Cosa Nostra, Tomaso xexenia, ou melhor, Tomaso Buscheta (que tinha até a cara) e a palavra Xote, corruptela de “Schottisch”, uma palavra alemã que significa “escocesa”. O xote tornou-se uma dança muito versátil, daí Luis Gonzaga e Zé Dantas terem criado a música “O xote das meninas”. A propósito, em termos de dança sou perna de pau, as pessoas me perguntam você dança? Eu respondo: “só xote”.

Outro exemplo de violência aumentando nossos conhecimentos de geografia seria a guerra do Kosovo, que é uma região da península balcânica que se declarou independente da Sérvia em 2008. Antes de esse conflito ninguém sabia onde ficava esse território que fez parte dos impérios Romano, Bizantino, Búlgaro, Sérvio e Otomano. A imprensa falava muito em Kosovo, Kosovo ali, Kosovo aqui, Kosovo acolá. Inicialmente, o pessoal mais prático apelava e traduzia a palavra Kosovo como “coçar o saco”. Por conta de essa pulverização dos conhecimentos de geografia nestes dias é muito difícil um americano confundir o Brasil com a Bolívia, como o fez o falecido Ronald Reagan ou “Ronald Reajam” como prefiram. A Bolívia, o nosso país irmão está, com relação ao Brasil, a milhares de anos luz de distancia social, política e econômica. Lembrem que um ano-luz equivale a 9460530000000 km.

Julgo dispor de conhecimentos suficientes para encher com brilho laudas e mais laudas sobre exemplos de violência que nos deixaram alguma lição de geografia.

Esse conhecimento de geografia se deu a nível mundial, daí porque o mundo tornou-se um “Big-Brother”; os planetas, os países, as cidades, os bairros, as pessoas, se vigiam constantemente, qualquer deslize e o mundo se volta contra os infratores e principalmente se a infração tem a ver com os direitos humanos.

O Recife ficou em evidência mundial nas últimas semanas devido a dois infelizes episódios. O primeiro aconteceu na praia de Boa Viagem, bairro nobre da zona sul, onde policiais militares torturaram dois marginais que assaltaram um edifício de luxo. A tortura inclusive teve preliminares de afogamento, isto nos remeteu à época da ditadura militar, (1964-1985). Esta ação violenta foi filmada por amadores e depois exibida nos principais canais de televisão do país. A pergunta que eu faço é: onde andará o grupo Tortura nunca mais?

O segundo episódio aconteceu em uma delegacia, onde policiais obrigaram dois presos a se beijar na boca com direito a língua. Está ação deplorável, da mesma forma, foi filmada por amadores e exibida pela televisão a nível nacional.

Ambas as cenas chegaram até a comissão dos direitos humanos da ONU. Como vemos a violência mais uma vez deu uma aula de geografia e mostrou ao mundo em qual quadrante do globo fica o Recife.

Estas cenas vieram à tona porque foram filmadas. E tudo aquilo que se faz ás escondidas, à surdina, nas trevas, tudo aquilo que não é filmado, divulgado?

Onde está o respeito á dignidade humana?

Se um marginal, um assassino, um bandido, um pé-rapado violar as normas de comportamento, terá que ser preso e conduzido, com todas as garantias, para a instituição correspondente que depois de lavrar o auto o coloque á disposição da justiça.

Não estou aqui defendendo bandidos, mas defendendo a dignidade humana. Já fui vítima de assalto e sei que a sensação que temos depois de ser assaltados é de indignação, de impotência e de revolta, muitos inocentes até já perderam a vida nas mãos de bandidos. Somos todos assaltáveis e como nem todos têm sido assaltados, significa que pode aumentar o número de assaltantes e de assaltos, até que o poder público nos prove o contrário.

Já estamos no tempo em que as truculências policialescas, o corporativismo, e a tortura sejam varridas de este estado, o que claramente significa acabar com os valores tradicionais desta sociedade. A polícia existe para poder garantir a nossa integridade, temos que acabar com essa historia de conversar com a polícia em legítima defesa.

Tomado por um surto de indignação digo: somos um bando de débeis mentais, conduzidos por uma cambada de galinhas mortas que não tem controle sobre os asnos, que são pagos para nos defenderem dos pés-rapados.

O pior de tudo é que vivemos numa democracia em que existem quatro poderes: o poder Executivo, o poder Judiciário, o poder Legislativo e o “Money”. Este último fala mais alto, principalmente se for o dólar.

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