martes, 22 de febrero de 2011

Seja um iconoclasta

Eu sou um iconoclasta. Não tenho intenções de ser popular porque os dois conceitos se auto-excluem. Escrevo porque gosto de escrever e tenho certeza que o faço para uma minoria. Escrevo para aqueles que compram o jornal para ler e não para limpar o cocô de “Totó”, o cachorro de estimação, ou até mesmo a própria bunda.

Tenho procurado me espelhar em escritores que tem o traço característico da sátira: Rabelais, Swift, Samuel Langhorne Clemens, Tolstoi, Diderot, Mencken. A maior parte destes escritores eu os encontrei nas pegadas de Diogo Mainardi e para não ser injusto confesso que os meus primeiros passos neste ramo foram seguindo o exemplo de Millôr Fernandes. Existem outros escritores brasileiros aos quais eu tiro o chapéu e dos quais tenho muito que aprender.

A minha intenção é afirmar-me provando que esta ou aquela imagem não passa de uma invencionice idiota, desmascarar heróis e derrubar nomes consagrados, além de deixar em dúvida este ou aquele leitor. Sei que um dia posso chegar a ser lido com uma dedicação masoquista.

A minha metodologia consiste em ir à caça daquilo que não está visível de forma fácil, comparo, relaciono, sigo pegadas, formo conjuntos até construir o texto que desejo. Encontro a felicidade fazendo isto.

Cabe ao leitor dar forma à iconoclastia através da percepção, da ideologia, descobrindo a intenção da imagem.

O iconoclasta é uma figura necessária na sociedade para fundamentar a ordem democrática. Viver sem o iconoclasta é uma asneira pura.

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