Chegamos a um restaurante considerado um dos melhores do litoral do nordeste. Os amigos que me acompanhavam eram comilões eruditos. O maître “Manuelzinho” nos recebeu e nos levou até uma mesa. Essa amizade que eu tenho com o maître e os garçons é uma garantia de que sempre seremos bem atendidos neste restaurante. A primeira coisa da qual sentimos falta foi o cardápio, esperamos quase quinze minutos para sermos atendidos por “Ronaldo” o garçom. Muito atencioso ele nos perguntou o que queríamos beber: cerveja, vinho, caipirinha, uísque? Para começar preferimos beber água mineral, mas logo veio a pergunta que é uma dúvida regional, com gás ou sem gás? Preferimos com gás.
Meus caros três fieis leitores (de Boston, de Miami e de Recife). O garçom trouxe a água mineral com gás, a garrafa estava amassada, mandei trocar a garrafa e a marca. Veio água Perrier, direto de Vergèze, do sul da França, mas o cardápio ainda não tinha aparecido. O restaurante estava lotado. O gerente (nissei) o senhor Antonio veio nos cumprimentar. Sem que nós tivéssemos pedido alguma coisa chegou o couvert: aspargos, alcachofras, vol-au-vent, salmão defumado. Este couvert é servido a preço de ouro, (custa os olhos da cara) talvez porque muitas vezes satisfaz o paladar, ou mata a fome. Acontece que qualquer bem que seja servido sem ser solicitado é considerado cortesia, segundo o código do consumidor.
Ao comer os acepipes me lembrei da “Grand-mère”. Calma!, “Grand-Mère” é a minha avó, com a qual me tornei (com modéstia) um “chef de cuisine” de respeito. Mas vou logo avisando, preparar comida trivial nem pensar. Sou muito exigente e se alguém me fala em macarronada (me sinto ofendido) puxo logo o meu 38 (o sapato) e as minhas receitas de massas: linguini, espaguete, penne, ravióli, tagliarini, tortelloni, pappardelle, fetuccini, nhoque, cappelleti. Incluí fora da lista o Capelli D’angelo porque considero este prato muito delicado, comparado a comer “Fios de Ovos”. Calma aí! Não me considero machista, mas há quem diga que isso é coisa de “Macho Man”.
Depois de trinta minutos de espera finalmente chegou o bendito cardápio com capa de couro, sofisticado. O garçom que trouxe o cardápio ficou junto da mesa esperando que decidíssemos o que iríamos comer. Com um olho na comanda e outro no cardápio, como montando guarda para o cardápio não desaparecer, o garçom anotou o nosso pedido e com presteza retirou o cardápio da mesa.
Pedi o cardápio novamente ao garçom e disse-lhe que deixasse na mesa porque tenho o hábito da leitura e preciso sempre estar lendo alguma coisa. Depois de esperar mais dez minutos o nosso pedido chegou: Salmão ao molho de camarão acompanhado de Baião de Dois, este último bem diferente, composto de arroz e feijão verde ao molho branco. O cardápio como por um passe de mágica novamente tinha desaparecido da mesa.
Cadê o cardápio? Perguntei ao garçom, ele não respondeu, bem, se não respondeu já respondeu, pensei.
Não tem problema, afinal quem fez o garçom foi Deus. Quem fez a pessoa encarregada de guardar no cofre o cardápio, foi Deus. E o freguês também foi Deus.
Suscribirse a:
Comentarios de la entrada (Atom)
No hay comentarios.:
Publicar un comentario