miércoles, 27 de abril de 2011

Você já visitou a cozinha do seu restaurante preferido?

A fantasia do salão principal de um restaurante está muito longe daquilo que é o inferno da cozinha, o coração do restaurante.

Se você ainda não visitou a cozinha de algum restaurante saiba que no Brasil já existem leis que permitem aos clientes visitar as cozinhas dos restaurantes. Cozinha não é para todo mundo, é para quem realmente gosta.

Para começar o garçom entra cantando os pedidos, outro garçom entra com várias comandas e fala que o cliente da mesa cinco está reclamando que o bife está muito passado, ele quer mal passado. Típico de uma cozinha de restaurante seria um calor de 30 graus,16 bocas de fogão industrial ligadas, além de dois fornos e duas panelas de pressão. O barulho do exaustor; o azeite nas frigideiras; a batedeira fazendo massa; o liquidificador triturando alimentos; os microondas apitando; o arroz queimando; os pratos sendo lavados; as panelas sendo areiadas; chega mais louça suja; o cozinheiro frita o relógio; o chef grita muito. Como se fosse pouco o ajudante de cozinha complica a situação porque não sabe o que é um Ratatoille, não sabe sequer o que é flambar e nem a diferença entre cebola e cebolinha.

O garçom entra na cozinha: “presta atenção cozinha o cliente da mesa 5 continua reclamando que o bife está muito passado, ele quer mal passado”; a mesa 10 quer um spaguete à romanesca sem ervilhas, mas antes quer um carpaccio de Atum com alcaparras de entrada; mesa 7 bruschettas sem queijo grana Padano, substitua por gruyere; mesa 11 o cara é alérgico a leite, não usem nada de leite no penne dele.

Cozinha é sinonimo de stress, seja a cozinha do boteco da esquina do Zé Paraíba ou a cozinha de Andre Bienvenu do restaurante Joe’s Stone Crab em Miami. Por tanto quando você estiver degustando o seu prato preferido num restaurante pense que alguém ralo muito para o prato chegar à mesa.

jueves, 17 de marzo de 2011

Quer ter um amigo? Compre um cachorro

Um homem normal desgasta as suas amizades como desgasta seu tempo tentando entender problemas filosóficos relacionados com a crença e também com o conhecimento.

A prudência nos ensina que devemos parar, algumas vezes, para analisar as nossas amizades. Fazer um exame crítico sobre os nossos amigos é necessário para saber se algumas amizades ainda contêm algum valor. Com certeza, dessa análise restarão poucos que carregam algum metal, mas a maioria será aniquilada e soprada como mosquitos mortos.

Poucos pensam em fazer uma análise a este respeito, isto porque por natureza o homem nunca procura o que é firme e verdadeiro; prefere aquilo que brilha; aquilo que é falso. Num processo continuo durante a vida o homem vai fazendo amigos, pouco importa se são verdadeiros ou não, o importante é acumular amigos como tesouros para no final tropeçar e os troféus conquistados derreterem em suas mãos.

Ainda no final da vida, quando lhe restar apenas um olho uma perna e uma mão tentará enxergar o asfalto da nova estrada para conquistar novos troféus sem lhe importar sem são troféus verdadeiros ou sem são falsos e tentará apalpar esses troféus com a mão que lhe resta.

O homem, o ingênuo do cosmos, superado pela destreza da natureza e pela artimanha de outros animais seguirá adotando o comportamento de selecionar o que é falso, esse é o seu talento. O discernimento é raro nele quanto comum nos ratos.

Quer ter um amigo? Compre um cachorro.

viernes, 25 de febrero de 2011

O céu da boca clama que sejamos divinos gourmets, mas também clama pelo aparecimento do cardápio nos restaurantes.

Chegamos a um restaurante considerado um dos melhores do litoral do nordeste. Os amigos que me acompanhavam eram comilões eruditos. O maître “Manuelzinho” nos recebeu e nos levou até uma mesa. Essa amizade que eu tenho com o maître e os garçons é uma garantia de que sempre seremos bem atendidos neste restaurante. A primeira coisa da qual sentimos falta foi o cardápio, esperamos quase quinze minutos para sermos atendidos por “Ronaldo” o garçom. Muito atencioso ele nos perguntou o que queríamos beber: cerveja, vinho, caipirinha, uísque? Para começar preferimos beber água mineral, mas logo veio a pergunta que é uma dúvida regional, com gás ou sem gás? Preferimos com gás.

Meus caros três fieis leitores (de Boston, de Miami e de Recife). O garçom trouxe a água mineral com gás, a garrafa estava amassada, mandei trocar a garrafa e a marca. Veio água Perrier, direto de Vergèze, do sul da França, mas o cardápio ainda não tinha aparecido. O restaurante estava lotado. O gerente (nissei) o senhor Antonio veio nos cumprimentar. Sem que nós tivéssemos pedido alguma coisa chegou o couvert: aspargos, alcachofras, vol-au-vent, salmão defumado. Este couvert é servido a preço de ouro, (custa os olhos da cara) talvez porque muitas vezes satisfaz o paladar, ou mata a fome. Acontece que qualquer bem que seja servido sem ser solicitado é considerado cortesia, segundo o código do consumidor.

Ao comer os acepipes me lembrei da “Grand-mère”. Calma!, “Grand-Mère” é a minha avó, com a qual me tornei (com modéstia) um “chef de cuisine” de respeito. Mas vou logo avisando, preparar comida trivial nem pensar. Sou muito exigente e se alguém me fala em macarronada (me sinto ofendido) puxo logo o meu 38 (o sapato) e as minhas receitas de massas: linguini, espaguete, penne, ravióli, tagliarini, tortelloni, pappardelle, fetuccini, nhoque, cappelleti. Incluí fora da lista o Capelli D’angelo porque considero este prato muito delicado, comparado a comer “Fios de Ovos”. Calma aí! Não me considero machista, mas há quem diga que isso é coisa de “Macho Man”.

Depois de trinta minutos de espera finalmente chegou o bendito cardápio com capa de couro, sofisticado. O garçom que trouxe o cardápio ficou junto da mesa esperando que decidíssemos o que iríamos comer. Com um olho na comanda e outro no cardápio, como montando guarda para o cardápio não desaparecer, o garçom anotou o nosso pedido e com presteza retirou o cardápio da mesa.

Pedi o cardápio novamente ao garçom e disse-lhe que deixasse na mesa porque tenho o hábito da leitura e preciso sempre estar lendo alguma coisa. Depois de esperar mais dez minutos o nosso pedido chegou: Salmão ao molho de camarão acompanhado de Baião de Dois, este último bem diferente, composto de arroz e feijão verde ao molho branco. O cardápio como por um passe de mágica novamente tinha desaparecido da mesa.

Cadê o cardápio? Perguntei ao garçom, ele não respondeu, bem, se não respondeu já respondeu, pensei.

Não tem problema, afinal quem fez o garçom foi Deus. Quem fez a pessoa encarregada de guardar no cofre o cardápio, foi Deus. E o freguês também foi Deus.

martes, 22 de febrero de 2011

O diplomata que tinha pontes de safena no caráter

Num país muito distante chamado Brasil, numa época em que a democracia brasileira andava mal das pernas, um cônsul surgiu das trevas da ditadura militar de El Salvador, e houve luz para os seus compatriotas quase desamparados, uns a estudar frações ordinárias, outros a aprender palavrões em português e alguns a vagar sem rumo certo. O Brasil imenso para sua capacidade de diplomata foi ficando pequeno para o seu amor próprio, mas não soube aproveitar as oportunidades para mostrar competência diplomática, preferiu ignorar as suas funções, tinha mais valor ser apaniguado de algum ditador de plantão.

A convenção de Viena sobre relações consulares determina entre outras funções de cônsul:

Proteger os interesses dos seus nacionais;
Atuar como notário e oficial do registro civil;
Expedir documentos.

Em 1980 o descontentamento da população salvadorenha devido a graves problemas sociais associados à violação dos direitos humanos deu origem ao conflito armado. Em 1983 a guerrilha do FMLN declaradamente entrou no conflito armado, o caos era total, mas o cônsul permaneceu no cargo.

Como o tempo não sabe ficar (só o cônsul sabia ficar), em 1985 o processo democrático foi restabelecido no Brasil, e o acordo de paz da guerra civil de El Salvador foi assinado em 1992, mas o cônsul permaneceu no cargo. Governantes salvadorenhos e brasileiros entraram e saíram da presidência, mas o cônsul permaneceu no cargo.

Em certa ocasião houve uma tentativa de afastamento desse cônsul, no estado de Sergipe, liderada por salvadorenhos descontentes com a falta de atenção por parte do consulado salvadorenho, mas o cônsul permaneceu no cargo. Este cônsul, que mais parecia um exemplar da cultura Maia mudou-se para o estado da Bahia, o lugar ideal para continuar a gerenciar a sua agência de turismo, mas permaneceu no cargo.

Meus caros e fiéis três leitores (Um de Boston, outro de Miami e o terceiro de Recife) Este infame, ridículo, incompetente, retrógrado, e desqualificado cônsul permaneceu no cargo por mais de 25 anos e chegou ao alto cargo de cônsul Geral da Republica de El Salvador. Mesmo soando antiquado, naquele tempo o cônsul usava máquina de escrever, corretivo e papel carbono e no final da sua gestão, em 2009, usava um belo computador, mas se queixava da sua falta de memória e até foi corrompido pelo sistema (do computador). Nem o cônsul nem o computador usavam a inteligência humana, mas o primeiro tinha até pontes de safena no caráter.

Claro que o cônsul emitia passaportes e quando alguém precisava de passaporte ou de algum documento tinha que pagar caro, depositando o valor na conta pessoal dele no Banco do Brasil. Os salvadorenhos que solicitaram atestado de antecedentes criminais foram aconselhados pelo cônsul a aceitar uma declaração emitida por ele, alegando que a declaração solicitada à policia salvadorenha demorava três meses para chegar.

Além de pagar um custo alto estes salvadorenhos se viram prejudicados porque quando a declaração, emitida pelo cônsul, chegava ao Ministério da Justiça do Brasil, a declaração era barrada e o processo correspondente arquivado.

O cônsul, entre outras ilegalidades, montou um esquema fraudulento para comprar carros importados por menos da metade do preço paga pelo consumidor. Por possuir passaporte diplomático, tinha direito a privilégios fiscais, ou seja, não pagava um centavo de impostos federais e estaduais. Com esse benefício, o preço do carro caía quase 60%. O esquema foi descoberto pela polícia federal em 1995 e o cônsul foi indiciado. Pagou um advogado para cuidar de um Habeas Corpus, mas permaneceu no cargo.

Para o bem da diplomacia salvadorenha o cônsul foi finalmente destituído do cargo pelo novo presidente de El Salvador Mauricio Funes, que foi eleito em 15 de março de 2009.

A diplomacia salvadorenha ficou maculada, mas existe a esperança que esse tipo de episódio nunca mais venha a acontecer.

O que precisa ser de fato corrigido é o tempo que leva para ser emitida uma declaração de antecedentes criminais expedida pela policia nacional de El Salvador, três meses. O Ministério de Relações Exteriores de El Salvador e os senhores diplomatas precisam entender que é o mesmo tempo que se exigia há três décadas. Estamos na era da informação, na modernidade, na era da internet. É inconcebível que um documento, por mais minucioso que seja, leve 90 dias para ser emitido e enviado. Nada mais odioso do que isso que chamam burocracia.

A nossa calça "Jeans", o Capitalismo x Socialismo

Se o capitalismo não existisse gostaria de ser socialista no sentido estrito da palavra, não vou dizer “literalmente” porque esse é um termo usado por modismo, assim como os termos: “Inserido no contexto”, “Haja vista”, “Com certeza”, “Até porque”, vícios de linguagem insuportáveis. Este último tem sido um horror porque bastou que um jogador de futebol, que mal sabe assinar o nome, conhecido como “baixinho”, o usa-se com freqüência nas entrevistas, cheias de língua, para espalhar-se por todo o território nacional.

Aqui no futebol da vida, onde a bola é quadrada e o juiz é um supremo ladrão a coisa é diferente. Estamos carecas de enfrentar crises financeiras e de ouvir falar que o capitalismo está acabando. Os socialistas de plantão têm que saber que isso não tem sequer um pingo de verdade.

O sistema capitalista, ao qual devemos aquilo que se entende por civilização, está apenas se transformando, está transformação aparentemente o enfraquece para poder fortificá-lo. É sabido que o progresso da humanidade desde a Idade Média não seria possível sem a acumulação de capital. O socialismo nos deixaria retrógrados e com uma mão na frente e outra atrás.

Marx e Engels devem estar se virando na sepultura e se eles vivessem nos dias atuais veriam claramente a utopia em que estavam metidos. Marx grande defensor e estudioso da Metafísica (do Grego Meta = depois, Phisys = natureza ou físico) ao ser julgado por este teoria ele mesmo não poderia existir. Alguns caolhos estúpidos acreditam que o mundo poderia continuar sem o capitalismo.

É verdade que o capitalismo tem o seu lado marginal porque desde Adam Smith até os dias de hoje as pessoas somente têm acesso à riqueza ou por médio do mercado (compra e venda) ou pelas políticas públicas do governo ou pela caridade. Mas o que caracteriza o lado marginal é que outras formas de acesso a pedaços do bolo são patológicas: Assaltos, corrupção, comércio ilícito, invasões etc.

Em economia existem três setores importantes: o Setor Primário representado pela produção através da exploração dos recursos da natureza. O Setor Secundário é o setor que transforma as matérias primas em produtos industrializados (indústria). O Setor Terciário é o setor econômico relacionado aos serviços. Mas apareceu um quarto setor, o crime, que é altamente rentável.

Este quarto setor seguirá prosperando enquanto seja visto como um simples “caso de polícia”, o capitalismo terá que mudar de paradigma para a construção de uma sociedade mais justa, onde as condições de vida sejam aceitáveis para todos.

Reconhecemos o avanço do capitalismo, e não negamos que o capitalismo produziu uma única coisa socialista até o momento, a calça “Jeans”.

Seja um iconoclasta

Eu sou um iconoclasta. Não tenho intenções de ser popular porque os dois conceitos se auto-excluem. Escrevo porque gosto de escrever e tenho certeza que o faço para uma minoria. Escrevo para aqueles que compram o jornal para ler e não para limpar o cocô de “Totó”, o cachorro de estimação, ou até mesmo a própria bunda.

Tenho procurado me espelhar em escritores que tem o traço característico da sátira: Rabelais, Swift, Samuel Langhorne Clemens, Tolstoi, Diderot, Mencken. A maior parte destes escritores eu os encontrei nas pegadas de Diogo Mainardi e para não ser injusto confesso que os meus primeiros passos neste ramo foram seguindo o exemplo de Millôr Fernandes. Existem outros escritores brasileiros aos quais eu tiro o chapéu e dos quais tenho muito que aprender.

A minha intenção é afirmar-me provando que esta ou aquela imagem não passa de uma invencionice idiota, desmascarar heróis e derrubar nomes consagrados, além de deixar em dúvida este ou aquele leitor. Sei que um dia posso chegar a ser lido com uma dedicação masoquista.

A minha metodologia consiste em ir à caça daquilo que não está visível de forma fácil, comparo, relaciono, sigo pegadas, formo conjuntos até construir o texto que desejo. Encontro a felicidade fazendo isto.

Cabe ao leitor dar forma à iconoclastia através da percepção, da ideologia, descobrindo a intenção da imagem.

O iconoclasta é uma figura necessária na sociedade para fundamentar a ordem democrática. Viver sem o iconoclasta é uma asneira pura.

Somos um bando de débeis mentais assaltáveis

Meus caros e fiéis três leitores (Um de Boston, outro de Miami e o terceiro de Recife) neste texto eu irei fazer uma diatribe, por favor, não confundir com “diabrite”, que por sinal é uma palavra que não existe no idioma português. Mas podem verificar no dicionário a palavra diatribe para que não pensem que é uma invencionice filológica.

Sabemos que a violência do mundo globalizado tem o seu lado positivo, isto porque tem servido para aumentar o nosso conhecimento de geografia. Por exemplo: muita gente não sabia da existência da Chechênia que está localizada nas montanhas do norte do Cáucaso, até ser estabelecido o conflito entre grupos armados Chechenos e o exército da Rússia. Antes de esse conflito estourar, falar em Chechênia correspondia a fazer, inconscientemente, uma relação entre o mafioso italiano, membro da Cosa Nostra, Tomaso xexenia, ou melhor, Tomaso Buscheta (que tinha até a cara) e a palavra Xote, corruptela de “Schottisch”, uma palavra alemã que significa “escocesa”. O xote tornou-se uma dança muito versátil, daí Luis Gonzaga e Zé Dantas terem criado a música “O xote das meninas”. A propósito, em termos de dança sou perna de pau, as pessoas me perguntam você dança? Eu respondo: “só xote”.

Outro exemplo de violência aumentando nossos conhecimentos de geografia seria a guerra do Kosovo, que é uma região da península balcânica que se declarou independente da Sérvia em 2008. Antes de esse conflito ninguém sabia onde ficava esse território que fez parte dos impérios Romano, Bizantino, Búlgaro, Sérvio e Otomano. A imprensa falava muito em Kosovo, Kosovo ali, Kosovo aqui, Kosovo acolá. Inicialmente, o pessoal mais prático apelava e traduzia a palavra Kosovo como “coçar o saco”. Por conta de essa pulverização dos conhecimentos de geografia nestes dias é muito difícil um americano confundir o Brasil com a Bolívia, como o fez o falecido Ronald Reagan ou “Ronald Reajam” como prefiram. A Bolívia, o nosso país irmão está, com relação ao Brasil, a milhares de anos luz de distancia social, política e econômica. Lembrem que um ano-luz equivale a 9460530000000 km.

Julgo dispor de conhecimentos suficientes para encher com brilho laudas e mais laudas sobre exemplos de violência que nos deixaram alguma lição de geografia.

Esse conhecimento de geografia se deu a nível mundial, daí porque o mundo tornou-se um “Big-Brother”; os planetas, os países, as cidades, os bairros, as pessoas, se vigiam constantemente, qualquer deslize e o mundo se volta contra os infratores e principalmente se a infração tem a ver com os direitos humanos.

O Recife ficou em evidência mundial nas últimas semanas devido a dois infelizes episódios. O primeiro aconteceu na praia de Boa Viagem, bairro nobre da zona sul, onde policiais militares torturaram dois marginais que assaltaram um edifício de luxo. A tortura inclusive teve preliminares de afogamento, isto nos remeteu à época da ditadura militar, (1964-1985). Esta ação violenta foi filmada por amadores e depois exibida nos principais canais de televisão do país. A pergunta que eu faço é: onde andará o grupo Tortura nunca mais?

O segundo episódio aconteceu em uma delegacia, onde policiais obrigaram dois presos a se beijar na boca com direito a língua. Está ação deplorável, da mesma forma, foi filmada por amadores e exibida pela televisão a nível nacional.

Ambas as cenas chegaram até a comissão dos direitos humanos da ONU. Como vemos a violência mais uma vez deu uma aula de geografia e mostrou ao mundo em qual quadrante do globo fica o Recife.

Estas cenas vieram à tona porque foram filmadas. E tudo aquilo que se faz ás escondidas, à surdina, nas trevas, tudo aquilo que não é filmado, divulgado?

Onde está o respeito á dignidade humana?

Se um marginal, um assassino, um bandido, um pé-rapado violar as normas de comportamento, terá que ser preso e conduzido, com todas as garantias, para a instituição correspondente que depois de lavrar o auto o coloque á disposição da justiça.

Não estou aqui defendendo bandidos, mas defendendo a dignidade humana. Já fui vítima de assalto e sei que a sensação que temos depois de ser assaltados é de indignação, de impotência e de revolta, muitos inocentes até já perderam a vida nas mãos de bandidos. Somos todos assaltáveis e como nem todos têm sido assaltados, significa que pode aumentar o número de assaltantes e de assaltos, até que o poder público nos prove o contrário.

Já estamos no tempo em que as truculências policialescas, o corporativismo, e a tortura sejam varridas de este estado, o que claramente significa acabar com os valores tradicionais desta sociedade. A polícia existe para poder garantir a nossa integridade, temos que acabar com essa historia de conversar com a polícia em legítima defesa.

Tomado por um surto de indignação digo: somos um bando de débeis mentais, conduzidos por uma cambada de galinhas mortas que não tem controle sobre os asnos, que são pagos para nos defenderem dos pés-rapados.

O pior de tudo é que vivemos numa democracia em que existem quatro poderes: o poder Executivo, o poder Judiciário, o poder Legislativo e o “Money”. Este último fala mais alto, principalmente se for o dólar.